Tudo, porque é preciso preenchê-la por completo, versículos e tudo, impressos, cópias, modelos, autorizações,
ofícios, procedimentos de conhecimento e reconhecimento da(s) vítima(s)... comunicações aos encarregados de educação...até o ganapo poder ir, eventualmente, para o olho da rua. Ahhh!, e não esquecer do cabeçalho!, para que não falte lá o logótipo do Prodep III, senão, volta tudo para trás e é uma Bíblia outra vez, toda ela desde o início. Quando a "missa" parece que vai a meio, o que costuma acontecer já lá para o fim da aula, ainda a Bíblia está a ser preenchida (e lida) pelo profissional de serviço - leia-se "docente". A funcionária adormeceu em pé e está a roncar, encostada à porta; as outras turmas todas, já se aperceberam do caso, gerando o espalhafato geral nas outras salas! A direção mantém-se escondida, para não ser apanhada em trabalhos - são sempre os últimos a saber. O miúdo malcriado continua a divertir-se à grande, fazendo barulho e saltando nas carteiras com os colegas de sala!
Entrementes, a tutela vai-se congratulando pela melhoria das taxas de "bom comportamento e disciplina" no nosso sistema de ensino, facto cabal, face ao número cada vez mais reduzido de putos a serem molestados por procedimentos disciplinares oficiais.
É público um caso recente de um(a) professor(a)da nossa praça pedagógica que, ao querer impôr a disciplina na sua aula, - e vendo-se obrigado a dar ordem de saída a um aluno que abusara largamente dos limites da conveniente decência escolar - se achou, posteriormente, confrontado(a) com um diagnóstico assustador proveniente de um quadro de liporoma medular ósseo, provocado pela exposição excessiva, nesse episódio, a um componente tóxico da celulose, tal foi a onda de burocracia a que ficou sujeito durante o momento em que tentou impor a medida do "vai pró olho da rua".
E nem falar da pobre da auxiliar educativa, pessoa já de alguma idade, obrigada a levar às costas o discente para o andar de baixo, juntamente com as duzentas resmas de papel debaixo da cova do braço ( Bíblias) a preencher, na fase seguinte, pelo mediador da sala de estudo que recebeu o malcriado do puto.
Perante este tipo de situações, a Universidade Lusófona já veio a terreiro, voluntariando-se para prestar os seus serviços de apoio académico aos profissionais das escolas, propondo a criação de um plano de estudos de pós-graduação, que prepare estes indivíduos para uma gestão mais eficiente destes pequenos conflitos escolares.
Tivémos acesso ao documento que formaliza o currículo, e podemos desvendar já um pouco do véu:
Licenciatura em Gestão da Burocracia Escolar:
1º semestre:
Didática do Impropério I ( aplicada à gestão escolar)
Técnicas de Evasão ao Impresso
História Comparada do Chamamento do Funcionário
Semiótica do Carimbo e do Preenchimento do Cabeçalho I
2º semestre:
Pedagogia da Assinatura em Massa II
Técnicas de Socorrismo em Situação de Envio de Circulares
Didática do Aviso de Receção e Carta Registada
Modelos de Impressos I
Carregamento de Bases de Dados em Servidores Escolares
Ética e Deontologia na Colagem de Rodapés I

Modelos de Ofícios e Autorizações (disciplina prática)
3º Semestre:
Prática Pedagógica ( estágio em contexto escolar, através do IEFP, e sem direito a remuneração)
Saudações
Papagaio