Aproveitaríamos este precioso momentinho, no nosso charmoso polígrafo da treta, para fazer uma correção que se impõe há muito tempo: as casas em Portugal não têm subido de preço. É, por isso, absolutamente incorreto produzir afirmações imprecisas. O que elas têm feito é parkour e continuam a trepar pelo bolso do contribuinte acima.
Comprar casa em Portugal hoje é assim:
-
Entramos num T1 minúsculo e o agente imobiliário diz: “Vista desafogada.” Tradução: consegues ver as maminhas da vizinha na janela da casa de banho do prédio mesmo espetado ao lado.
-
Um T0 de 14 m² custa tanto que já vem com manual de instruções para aprenderes a viver em modo "origami".
-
As rendas? Chamam-lhe “mercado livre”, mas a única coisa livre é a tua alma quando a entregas ao senhorio.
-
E quando finalmente encontras algo “acessível”, descobres que fica a 4000 km da civilização, sem transportes, mas com “grande potencial”. Sim, potencial para te transformares num eremita numa gruta das montanhas de Marrakech.
Em Portugal, a única coisa que ainda desce é a esperança...e os pirilaus, depois do efeito Viagra. Mas continuamos aqui, firmes e hirtos, se houver orçamento para as pílulas azuis. Não desatem é a chorar, porque as lágrimas também já vêm taxadas.