Para começar a escrever e avançar sua carreira na escrita, pratique o básico:
- Leia todos os dias.
- Descubra o que dá para fazer com as palavras. Brinque com elas. Manipule-as. Torne-se amigo íntimo das palavras, a mais essencial e básica ferramenta de um escritor.
- Aprenda o que é um conto, o que torna um poema de fato poesia, como apresentar um argumento num ensaio.
- Escreva. Escreva poesia, contos, ensaios, diálogos, perfis de personagens. Escreva ruminações em fluxo de consciência. Escreva instruções detalhadas sobre como executar uma tarefa. Escreva uma história em cinco orações. Escreva um poema em três palavras.
- aprenda quais são os elementos de uma história. Você vai precisar saber disso para a próxima sugestão.
- Escreva um livro (de ficção, um romance)
- Parta do princípio de que seu primeiro livro não será uma obra-prima.
Na Idade Média, os aprendizes só eram reconhecidos como mestres artífices quando seus mestres diziam que estavam prontos. O aprendiz trabalhava em uma série de projetos até conseguir executar um que seu mestre (e a guilda daqueles profissionais) considerasse valer a ele o título de mestre daquele ofício. Hoje em dia, obra-prima significa o melhor trabalho que alguém consegue executar.
- Um rascunho não é um original terminado. Saiba que você vai precisar editar e reescrever.
- Saiba que nenhuma palavra que você selecionou é incomparável, intocável, sacrossanta. Você vai sim cortar palavras de seu original e ao fazê-lo vai melhorar suas histórias.
- Aprenda o ofício da escrita. Aprenda a criar personagens e desenvolver tramas, como misturar diálogos com descrições, como escrever cenas e como provocar a emoção dos leitores. Aprenda sobre ponto-de-vista e gêneros.
Aprenda o que é fornecer detalhes sobre os personagens e quando são necessários. Aprenda como acrescentá-los a uma história para melhorar sua escrita.
- Aprenda o básico. Estude gramática e pontuação. Pratique diferentes maneiras de construir uma frase. Aprenda os significados das palavras e como a escolha de vocabulário modifica a trama, o tom da obra e as expectativas dos leitores.
- Escreva outro livro utilizando o que você aprendeu ao escrever o primeiro.
- Lembre que nem todos os leitores vão gostar do que você escreve, de suas tramas, seus personagens, seu estilo. Aceite e toque em frente, isso não importa muito.
- Lembre de quem é seu leitor, saiba para quem você escreve.
- Sugestão mais importante? Realmente siga essas sugestões. Não olhe para essa lista como se fosse outra qualquer de coisas a fazer e ser ticadas. Transforme essas sugestões em parte de sua vida de escritor. É garantido que vão transformar você num melhor escritor.
) Escreva com a porta fechada, reescreva com a porta aberta. Em outras palavras, você começa escrevendo algo só seu, mas depois o texto precisa ir para a rua. Assim que você descobre qual é a história e consegue contá-la direito – tanto quanto você for capaz -, ela passa a pertencer a quem quiser ler.
2) Não deve haver telefone no seu local de escrita, certamente não deve haver TV ou videogame pra você se distrair. Se tiver uma janela, feche as cortinas.
3) A boa escrita costuma vir ao deixarmos o medo e a afetação de lado. A própria afetação, que começa com a necessidade de definir certos tipos de escrita como “bons” e outros como “ruins”, é um reflexo do medo.
4) De meu ponto de vista, histórias e romances se dividem em três partes: narração, que leva a história do ponto A para o ponto B e, por fim, até o ponto Z; descrição, que cria uma realidade sensorial para o leitor; e diálogo, que dá vida aos personagens através do discurso.
5) O advérbio não é seu amigo. Considere a frase ‘Ele fechou a porta firmemente’. Não é de forma alguma uma frase horrível, me questione a você mesmo se ‘firmemente’ realmente precisa estar lá. E o contexto? E toda a inspiradora (pra não dizer emocionalmente tocante) prosa que veio antes da frase? Não seria isso que deveria nos dizer de que forma ele fechou a porta? E se a prosa precedente realmente diz, não seria ‘firmemente’ uma palavra sobrando? Não seria redundante?”
6) Em prosa expositiva, os parágrafos podem (e devem) ser organizados e utilitários. O parágrafo expositivo ideal contém uma frase síntese seguida por outras frases que explicam ou ampliam a primeira.
7) Para mim, a boa descrição consiste em apenas alguns detalhes bem-escolhidos que vão falar por todo o resto.
8) Geralmente, as situações mais interessantes podem ser expressas como uma pergunta do tipo “e se”.
9) Uma vez que sua história esteja no papel, porém, é preciso pensar no que ela significa e enriquecer as versões posteriores com suas conclusões. Fazer menos que isso é privar seu trabalho (e, por consequência, seus leitores) da visão que faz de cada história que você escreve única.
10) Em uma entrevista eu disse que histórias são como coisas encontradas, como fósseis enterrados no chão, e o entrevistador disse que não acreditava em mim. Eu disse que tudo bem, contanto que ele acreditasse que eu assim acreditava. E acredito. Histórias não são como camisetas ou videogames, são como relíquias, parte de um mundo pré-existente não descoberto. O trabalho do escritor ou da escritora é usar as ferramentas que possuem em sua caixa de ferramentas para retira-las tão intactas quanto possível. Às vezes o fóssil que você encontra é pequeno; uma concha. Às vezes é enorme, um Tiranossauro Rex com suas costelas gigantes e dentes enormes. De qualquer forma, contos ou romances de mil páginas, a técnica de escavação é a mesma.
11) Sempre que penso em ritmo, eu volto a Elmore Leonard, que explicou isso perfeitamente, dizendo que ele simplesmente deixava de fora as partes chatas. Isso sugere cortar para dar velocidade ao ritmo, e é o que a maioria acaba fazendo.
12) E, se você fizer seu trabalho, seus personagens vão ganhar vida e começar a agir por conta própria. Sei que isso soa um pouco assustador se você nunca tiver vivenciado algo parecido, mas é incrivelmente divertido quando acontece. E vai resolver vários de seus problemas, pode acreditar.
13) Escritores tímidos gostam da voz passiva pelo mesmo motivo que amantes tímidos gostam de parceiros passivos. A voz passiva é segura. O tímido escreve ‘a reunião acontecerá às sete horas’, porque isso de alguma forma isso lhe diz, ‘Coloque dessa forma e as pessoas acreditarão que você realmente sabe’. Coloque os ombros pra trás, levante o queixo, e faça essa reunião acontecer! Escreva ‘a reunião é às sete’. Pronto! Não se sente melhor?
14) A linguagem não precisa sempre usar gravata e sapatos amarrados. O objeto da ficção não é a correção gramatical, mas sim fazer o leitor se sentir bem vindo e contar uma história. Fazer ele ou ela esquecer, sempre que possível, que ele ou ela estão lendo uma história.
15) Quando você escreve uma história, você está contando essa história pra você. Quando você a reescreve, sua principal tarefa é jogar fora tudo que não for a história.
16) O pano de fundo é tudo o que aconteceu antes de sua história começar, mas tem algum impacto no enredo principal. Ele ajuda a definir os personagens e a estabelecer suas motivações. Acho que é importante inserir o pano de fundo o mais rápido possível, mas também é importante fazer isso com graça.
17) Você precisa ler amplamente, refinando e redefinindo constantemente seu próprio trabalho enquanto o faz. Se você não tem tempo para ler, você não tem tempo (ou as ferramentas) para escrever.
18) Ler durante refeições é considerado grosseria em sociedades educadas, mas se você pretende ser bem sucedido como escritor, grosseria deve ser sua penúltima preocupação. A última deve ser uma sociedade educada e o que ela espera. Se você pretende escrever tão verdadeiramente quanto pode, seu dias como membro de uma sociedade estão contados, de todo jeito.
19) (…) eliminar pronomes ambíguos (eu odeio pronomes, não confio neles; são todos escorregadios como um advogado de porta de cadeia), incluir frases esclarecedoras onde forem necessárias e, é claro, eliminar todos os advérbios que eu puder (nunca consigo eliminar todos; nunca é o suficiente).
20) O ritmo é a velocidade com que a narrativa se desenrola. Existe, nos círculos editoriais, uma crença tácita (logo, não defendida e não confirmada) de que as histórias mais bem-sucedidas comercialmente têm ritmo vertiginoso.
21) A descrição é o que transforma o leitor em um participante sensorial da história.
22) Precisamos conversar um pouco sobre pesquisa, que é um tipo de pano de fundo especializado. E se você precisa fazer pesquisa, porque algumas partes de sua história tratam de coisas sobre as quais você sabe muito pouco ou nada, lembre-se sempre de que é o pano de fundo dos acontecimentos. É lá que a pesquisa deve ficar: tão no fundo quanto possível, misturada ao máximo no contexto.
) A situação vem primeiro. Os personagens — sempre rasos e sem características, no início — vêm depois.
24) “Não está ruim, mas está INCHADO. Reveja o tamanho. Fórmula: 2ª versão = 1ª versão – 10%. Boa sorte”. […] O que a Fórmula me ensinou é que todas as histórias e todos os romances são, até certo ponto, reduzíveis.
25) Um apresentador uma vez me perguntou como eu escrevo. Minha resposta – ‘uma palavra de cada vez’ – o deixou sem resposta. Acho que ele não soube dizer se era ou não uma piada. Não era. No fim, é simples assim. Seja uma página simples ou uma trilogia época como ‘O Senhor dos Anéis’, o trabalho é sempre realizado uma palavra de cada vez.
26) Ninguém pode imitar a maneira peculiar de um autor de se aproximar de determinado gênero, ainda que possa parecer a coisa mais simples. Pessoas que decidem fazer fortuna escrevendo como outro autor não produzem nada além de imitações pálidas, em sua maioria, porque vocabulário não é a mesma coisa que o sentimento e a verdade compreendida pelo coração e pela mente.
27) O parágrafo de uma única frase lembra mais a fala que a escrita, e isso é bom. Escrever é seduzir.
28) Estou convencido de que o medo é a raiz da maior parte das escritas ruins. Dumbo conseguiu voar com a ajuda de uma pena mágica; você pode sentir o desejo de usar um verbo passivo ou um desses péssimos advérbios pelo mesmo motivo. Antes de faze-lo apenas se lembre que o Dumbo não precisava da pena; a mágica estava nele.
29) (…) uma das principais regras da boa ficção é nunca dizer algo que você pode, em vez disso, nos mostrar.
30) A primeira versão de um livro – mesmo um livro longo – não deve demorar mais de três meses para ser escrita, que é a duração de uma estação do ano.
31) A segunda versão serve, por exemplo, para trabalhar o simbolismo e o tema.
32) Se você nunca fez isso antes, ler seu próprio livro depois de seis semanas de descanso será uma experiência estranha. É seu, você vai reconhecer como sendo seu, até se lembrará qual a música que estava tocando quando escreveu certo trecho, e ainda assim será como ler o trabalho de outra pessoa, um irmão de alma, talvez. É assim que deve ser, a razão pela qual você deu um tempo. É sempre mais fácil frustrar os desejos de outra pessoa do que os seus próprios.
33) Quero encerrar este pequeno sermão com um aviso: começar com as questões e as preocupações temáticas é receita certa para má ficção. A boa ficção sempre começa com a história e progride até chegar ao tema, ela quase nunca começa com o tema e progride até chegar à história.
Dica 1: Transforme pensamentos em palavras
Dica 2: Decida os gêneros que você quer escrever.
Dica 3: Estude os textos dos seus escritores favoritos.
Dica 4: Inspire-se antes de começar a escrever.
Dica 5: Elimine a autocrítica no início do seu processo de criação.
Dica 6: Evite que perfeccionismo afete sua produtividade.
Dica 7: Monitore sua produtividade e motivação para escrever.
Dica 8: Aprenda a provocar emoções com palavras.
Dica 9: Teste suas ideias de história.
Dica 10: Entenda o papel de cada peça que compõe uma história.
Dica 11: Decida se você quer escrever livros ou ser um escritor.
Dica 12: Evite comparar suas histórias as dos seus ídolos.
Dica 13: Tente responder perguntas que intrigam você.
Dica 14: Aceite o convite das histórias que se oferecerem a você.
Dica 15: Não tente agradar a todos com suas histórias.
Dica 16: Diagrame suas histórias de forma profissional.
Dica 17: Confie na sua intuição ao escrever histórias.
Dica 18: Divulgue e distribua suas histórias.
Dica 19: Empreste sua mente para todos os seus personagens.
Dica 20: Revise suas histórias com os ouvidos.
Dica 21: Escreva várias histórias simultaneamente.
Dica 22: Respeite suas habilidades e suas histórias.
Dica 23: Evite a síndrome do escritor incompreendido.
Dica 24: Escreva com liberdade e edite com disciplina.
Dica 25: Seja específico em suas descrições.
Dica 26: Acredite no que você escreve.
Dica 27: Não se preocupe com a extensão da sua história.
Dica 28: Recompense o tempo do leitor.
Dica 29: Tempere suas histórias com drama e comédia.
Dica 30: Respeite as regras que você criar para sua história.
Dica 31: Domine a estrutura narrativa clássica.
Dica 32: Valorize disciplina mais do que talento.
Dica 33: Aprenda a observar pessoas como um escritor.
Dica 34: Decida quando usar narração ou diálogo.
Dica 35: Desconfie dos seus momentos de inspiração.
Dica 36: Permita que os leitores tirem suas próprias conclusões.
Dica 37: Encontre um equilíbrio entre razão e emoção.
Dica 38: Não reproduza a realidade nas suas histórias.
Dica 39: Entenda o que o leitor quer sentir ao ler suas histórias.
Dica 40: Escreva independentemente do seu humor.
Dica 41: Teste diferentes pontos de vista para sua história.
Dica 42: Use lápis e papel para desenvolver suas ideias.
Dica 43: Faça parte de uma comunidade de escritores.
Dica 44: Participe de concursos literários.
Dica 45: Faça um curso de criação de histórias.
Dica 46: Pare de tentar escrever melhor.
Dica 47: Use adjetivos com moderação.
Dica 48: Estimule sua criatividade com exercícios físicos.
Dica 49: Manipule as expectativas da sua audiência.
Dica 50: Questione todas as dicas anteriores.