Bater palmas e com colheres no fundo de panelas e tachos, em conjunto, lembrando rituais indígenas fora do sítio, fazendo barulho, significa o quê? Significará que é motivo de notícia pelo país fora, de norte a sul, e que os telejornais e as plataformas online fiquem a esmifrar com a cobertura do ato até às quatro horas da manhã. Que assunto existe aí que mereça tantos holofotes?
Porventura, dirão alguns, será para espantar o COVID-19, enchê-lo de medo com tamanha barulheira. Se for esse o caso, então, que se continue a dar na pandeireta metálica até o espanta-espíritos começar a deitar fumo. Cá em casa, também temos algumas panelas de pressão - pode ser que façam jeito!
Outros dirão que será uma forma de exibir uma espécie de solidariedade macaca para com os profissionais de saúde que lutam contra o coronavírus. Sim! esses mesmos heróis que frequentemente costumam ser esbofeteados e insultados nos corredores dos serviços públicos de saúde.
Pena é que, um destes dias, quando o bichinho da China não for já mais que um pequeno de ameaço ridículo ao bem estar público, a memória de alguns maestros e bateristas de prédio se tolde novamente - e as redes sociais façam dos heróis, anti-heróis - e as panelas de pressão e tachos voltem a ser substituidos pela luvas de boxe, para filmar combates de pugilato à porta das urgências e à hora dramática dos telejornais.
Pap...